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Incra pede desocupação de espaço usado pelo Centro Paulo Freire, em Caruaru

Terreno, localizado dentro do assentamento Normandia, deverá ser desocupado até 31 de setembro, segundo decisão da Justiça Federal

setembro 6, 2019 às 19:11 - Por:

Espaço do Centro de Formação Paulo Freire fica no assentamento Normandia, em Caruaru. Foto: MST/Reprodução

Espaço do Centro de Formação Paulo Freire fica no assentamento Normandia, em Caruaru. Foto: MST/Reprodução

Após pedido do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a 24ª Vara Federal de Caruaru, determinou a desocupação de uma área de 15 hectares usada pelo Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, para capacitação dos assentados da Fazenda Normandia, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A sentença deve ser cumprida até 31 de setembro.

Na decisão, o juiz federal Tiago Aguiar destacou que caso não haja a saída espontânea será expedido um mandado de reintegração de posse em que estão autorizados o uso da força policial, o arrombamento, se necessário, a condução coercitiva, em caso de resistência e a remoção de bens e animais.

O centro, criado em 1999, é administrado pela Associação Centro de Capacitação Paulo Freire, que tenta há nos legalizar a área. No local, foram construídos um auditório e alojamento. O espaço também consta com telecentro, Academia das Cidades, refeitório, quadra esportiva e creche. A unidade também tem parcerias com instituições estatais.

“Por isso, entendemos que não há razão nenhuma para o Incra pedir a reintegração de posse, a não ser a motivação ideológica de tentar impor ao MST uma derrota no estado de Pernambuco, então, nesse momento, estamos tentado buscar todas as formas possíveis para impedir que essa insanidade aconteça”, informou o MST, em nota.

O movimento também ressaltou que no local há três agroindústrias que pertencem a cooperativa agropecuária de Normandia.

Em nota partidos repudiaram a decisão da Justiça e o pedido do Incra. “Está mais do que evidente que esta atitude do Incra, de pedir a reintegração de posse, faz parte da perseguição e tentativa de criminalização do MST. Por Pernambuco, pelo Brasil, pela classe trabalhadora do campo e da cidade, estamos irmanados na defesa do patrimônio construído pelos Sem Terra e que tanto orgulha nosso estado e a classe trabalhadora”, destacou o PT Pernambuco.

Já o PSOL Pernambuco ressaltou o trabalho exercido no centro, como fóruns internacionais e cursos de formação continuada. “É inadmissível que um instrumento dessa importância tenha a sua história negada e apagada por orientação ideológica de quem ocupa hoje o poder executivo nacional. Nos somamos aos camaradas do Movimento dos Sem Terra em sua luta”.

Rebeca Silva

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