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Contrário à expansão urbana de Noronha, oceanógrafo é removido para o Sertão

Coordenador do projeto de conservação dos golfinhos, José Martins da Silva Júnior irá cuidar de uma área de três mil hectares de caatinga e cerrado contra sua vontade

agosto 5, 2019 às 18:06 - Por:

No Facebook, Bolsonaro classificou a cobrança de taxas de acesso a Fernando de Noronha como roubo. Foto: Reprodução/Administração de Fernando de Noronha

Em julho, Bolsonaro classificou a cobrança de taxas de acesso a Fernando de Noronha como roubo. Foto: Reprodução/Administração de Fernando de Noronha

Coordenador do Projeto Golfinho Rotador em Fernando de Noronha e em parte do litoral pernambucano, o oceanógrafo José Martins da Silva Júnior, foi removido do cargo contra sua vontade e irá atuar na Floresta Nacional de Negreiros, que corta os municípios de Serrita e Parnamirim, Sertão do estado.

O analista ambiental, que foi um dos criadores do programa de proteção aos golfinhos em 1990, irá cuidar de uma área de três mil hectares de caatinga e cerrado. A remoção de ofício de José Martins foi assinada pelo presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o coronel Homero de Giorge Cerqueira.

A medida seria para equilibrar o quantitativo de servidores nas unidades de conservação já que Noronha teria 34 profissionais enquanto que a floresta contaria com apenas três. A autarquia também alega que tem expertise para contribuir com o desenvolvimento da região por experiência prática nas áreas de Ecologia Comportamental, Cetologia, Educação Ambiental, Unidades de Conservação, Ecoturismo e Organização em Rede.

O procedimento começou no dia 22 de julho, três dias depois que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, visitou a ilha. Em manifestação de defesa, José Martins externou desconforto pelo fato de ter tomado ciência do processo sete dias após a abertura. “Também manifesto meu desconforto com o fato de já ter uma Portaria de remoção assinada no processo, antes de cumprido minimamente os ritos formais “, destacou.

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José argumentou ainda que tem duas faculdades, mestrado e doutorado em oceanografia e que todo seu trabalho acadêmico é sobre golfinhos oceânicos ou com temática marinha. Nos bastidores, o ambientalista, que também atuava para restringir a expansão urbana na ilha, estaria sendo visto pelo governo como um entrave para o “desenvolvimento” do arquipélago.

Nas argumentações, o especialista disse ainda esperar que sua saída não estaja relacionada ao seu trabalho de ordenamento territorial, em que costumava apontar os casos em que a legislação ambiental era descumprida.

“Espero que tal processo de minha remoção não esteja relacionada com os grandes empresários de Fernando de Noronha, que tem sido autuados ou notificados pelo ICMBio Noronha e ficaram assustados com uma apresentação feita por mim em reunião do Conselho Noronhense de Turismo (Contur), onde apresentei as inúmeras legislações federais, estaduais e distritais que são descumpridas diária e impunimente”.

O deslocamento do servidor também ocorre após uma fala polêmica de Bolsonaro sobre a exoneração do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ricardo Galvão. “Certas coisas eu não peço, eu mando. Não tinha clima para continuar, mesmo que provasse que os dados estavam certos. A forma como foi divulgado aí fica complicado”, justificou. Galvão criticou o presidente após o capitão da reservar ter contestado dados sobre desmatamento no país.

Rebeca Silva

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