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Bolsonaro quer suspender verba para filme de cineasta pernambucano

De autoria de Josias Teófilo, documentário conseguiu autorização para captar R$ 530 mil pela Agência Nacional do Cinema (Ancine)

julho 25, 2019 às 19:32 - Por:

Filme sobre o contexto que levou à eleição de Bolsonaro captou R$ 530 mil da Ancine. Foto: Reprodução/Facebook@nemtudosedefaz

Filme sobre o contexto que levou à eleição de Bolsonaro captou R$ 530 mil da Ancine. Foto: Reprodução/[email protected]

A verba de R$ 530 mil autorizada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) para o filme do cineasta pernambucano Josias Teófilo sobre as motivações que levaram à eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL), ao que parece, se desfez. O chefe do executivo nacional afirmou nesta quinta-feira (25) que, por coerência, sugeriu à entidade que voltasse atrás na liberação do recurso para o documentário que recebeu o nome “Nem Tudo Se Desfaz”.

“Não concordamos com o uso do dinheiro público também para estes fins. Outrossim, estamos trabalhando para viabilizar uma reformulação ou extinção da Ancine”, disse Bolsonaro no Twitter, após ter conhecimento sobre a captação do dinheiro por meio da Lei do Audiovisual. Apesar do posicionamento do presidente, o filho dele, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) e o filósofo Olavo de Carvalho republicaram o anúncio do filme nas redes sociais.

No Facebook, ao comentar sobre a polêmica do filme de Bruna Surfistinha, Josias disse ser importante que Bolsonaro compreenda que uma obra de arte não é, necessariamente, uma apologia do seu personagem. “Grandes filmes foram feitos sobre prostitutas, ou criminosos, ou assassinos. Não é o caso do filme de Bruna Surfistinha, trata-se de um filme ruim. Mas nem por isso ele não deveria existir, ou captar recursos públicos – o governo não deve definir o que deve virar filme ou não”, escreveu nesta quinta-feira (18).

“Nem Tudo se Desfaz” remonta aos protestos de junho de 2013, cujo mote era o aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus. As manifestações se espalharam pelo país e ganharam outras pautas, passando a serem consideradas um dos motivos que levaram ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) e, posteriormente, à eleição de Bolsonaro, em outubro de 2018.

Em 2017, Josias dirigiu o documentário de 81 minutos “O Jardim das Aflições”, que tem foco no guru da família Bolsonaro e foi financiado por uma vaquinha online como alternativa à Lei Rouanet. Na época, houve polêmica pela organização de um boicote ao filme que havia sido selecionado para participar do Festival de Cinema de Pernambuco.

Confira a publicação do presidente Jair Bolsonaro sobre o filme:

Rebeca Silva

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