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Vem aí a Copa do Mundo. Todos vão esquecer dos caminhoneiros?

Indignação que levou caminhoneiros a protestar, é a mesma de 7,4 milhões de voluntários brasileiros, que cansaram de esperar e decidiram agir

junho 1, 2018 às 18:30

A partir do dia 14, todas as atenções dos brasileiros estarão na Copa do Mundo. Será que as demandas colocadas durante a greve dos caminhoneiros serão esquecidas?

A partir do dia 14, as atenções dos brasileiros estarão na Copa do Mundo. Será que as demandas colocadas durante a greve dos caminhoneiros serão esquecidas?

Os dias estão começando a voltar ao “normal”, depois da paralisação dos caminhoneiros. As filas nos postos estão diminuindo, os caminhões com alimentos estão chegando às centrais de abastecimento, o comércio está se reencontrando com os consumidores.

As reivindicações da categoria, que provou sua importância para o País, foram atendidas (pelo menos parcialmente) e o preço do diesel deve baixar durante os próximos 60 dias (depois disso, vamos ver no que dá).

FIlas pra comprar gás na Zona Norte do Recife. (Foto: Bruno Araújo/TV Clube PE)

Mas eu fico me perguntando: será que vamos nos lembrar de tudo o que aconteceu nos últimos dias? É que já já começa a Copa do Mundo. O Brasil enfrenta a Suiça no dia 17.

Será que, enquanto torcemos, vamos nos lembrar dos dias em que percebemos como é dura a luta dos caminhoneiros pra pagar as contas diante de um valor tão alto d

o litro do diesel? Será que vamos nos lembrar de como eles se tornaram essenciais para a economia do nosso País, já que o Brasil só investe em rodovias, ao invés de ferrovias e hidrovias? E dos dias em que ficamos sem carne, sem ovos, sem verduras, sem gasolina.. os brasileiros vão lembrar?

Bem, isso só vamos ver daqui a alguns dias.

Mas, sei de um grupo que não vai esquecer. De acordo com o IBGE, 7,4 milhões de brasileiros tem algum tipo de engajamento social. Em 2017, 840 mil novos voluntários passaram a ajudar ONGs e projetos sociais por todo o País.

Somente no Recife, há mais de 80 mil pessoas cadastradas na plataforma Transforma Recife, que cruza os dados de quem quer ajudar com os de projetos que precisam de mão de obra voluntária. A plataforma marca mais de um milhão de horas voluntárias trabalhadas na capital pernambucana.

Sim, Isly, e daí?”, você pode estar se perguntando.

E daí que são essas pessoas que não esperam por políticos para melhorar a qualidade de vida nas suas cidades. São essas pessoas que transformam as comunidades onde vivem, cansados das promessas não cumpridas. São essas pessoas que, ao invés de reclamar e se lamentar sobre a crise política do País, decidiram agir.

O brasileiro está acostumado a ver políticos ricos, andando de carro de luxo e morando em mansões ou apartamentos caros. Mas tanta riqueza não é proporcional ao esforço que deveriam ter para melhorar a vida dos seus “patrões”: os cidadãos. Os políticos são eleitos para servir o povo, mas, longe disso, se apegam apenas à “autoridade” que passam a exercer.

Mas Isly, você quer dizer então que não deveríamos ter políticos?”. Muito pelo contrário! Eu considero a política como a melhor forma de fazer o bem em larga escala, mas quando os representantes eleitos pelo povo se afastam desse propósito e passam apenas a pensar em se manter no poder, a política se desvia da sua principal função.

E tem saída pra isso?” É difícil responder, mas um dos caminhos é assumindo responsabilidades com aquilo que está ao nosso alcance. Se a escola do seu filho está precisando de uma limpeza ou uma pintura, por que os pais não podem se juntar e fazer? Se o posto de saúde da sua comunidade precisa de uma pequena reforma, por que não procurar pedreiros na comunidade e fazer uma vaquinha pra comprar o material? Além de resolver o problema de forma rápida, sem esperar pelo poder público, isso cria na população um senso de pertencimento. Ou seja: aquilo que me pertence, eu cuido. Assim, todos vão ter mais interesse em preservar o que é da comunidade, o que é de todos.

Tenho vários exemplos que podem fazer você entender melhor do que estou falando. (Neste blog vou me esforçar pra compartilhar muitos deles, a começar por esta postagem)

João Paulo Farias Costa – Basquete Aurora

O mascote Chico faz a alegria das partidas. Jovens atletas tem inclusão social através do Basquete

O mascote Chico faz a alegria das partidas. Jovens atletas tem inclusão social através do Basquete

João Paulo é publicitário. Trabalha como editor de efeitos gráficos. Sempre brigou muito na internet por questões políticas, mas se deparou com um questionamento de amigos nas redes sociais, que o fez mudar de atitude: “Você reclama tanto, mas o que está fazendo para melhorar o País?”. Quando ele percebeu que a resposta para essa pergunta era “nada”, ele decidiu agir.

Há dois anos, João criou o Basquete Aurora. Um projeto social que traz inclusão social para crianças e adolescentes através do esporte. Os treinos acontecem na quadra pública da Rua da Aurora. Um endereços marcante do Recife. O treinador é um voluntário pra lá de experiente: o antigo professor de basquete de João Paulo, Dirceu Manguinho. Com a rotina de exercícios duas vezes por semana, os 30 meninos beneficiados passaram a ter mais dedicação na escola e se afastaram dos perigos das ruas.

Carlinhos Lua – Instituto Sons do Silêncio

Carlinhos é pedagogo e músico profissional. Sempre tocou frevo nos carnavais do Recife e ensinava libras (a língua brasileira de sinais) em escolas públicas. Um belo dia, percebeu que poderia unir as duas paixões quando descobriu que os surdos eram capazes de aprender a tocar instrumentos musicais. O objetivo que parecia impossível o fez criar o Instituto Inclusivo Sons do Silêncio. Hoje, Carlinhos Lua está desenvolvendo técnicas que podem ajudar muitos surdos a desenvolver suas habilidades musicais.

Eles estão em campanha para criar a primeira orquestra filarmônica inclusiva do Brasil. Você pode ajudar e conhecer mais sobre o projeto clicando neste link:

Dona Toinha – Florescer da Casa Rosa

Tive o prazer de contar a história de dona Toinha na estreia do novo PE no Ar, em janeiro de 2018. Uma mulher que já conseguiu evitar que 900 crianças se envolvessem com drogas no bairro onde mora, Mustardinha, no Recife. Sabe por que ela decidiu fazer isso? Por que viu seus quatro filhos se perdendo no vício. A partir daí ela percebeu que não poderia transferir pra ninguém a responsabilidade de construir o futuro dos filhos e foi além: decidiu que nenhuma criança da comunidade onde ela mora iria conhecer as drogas. A história inspiradora dela eu conto nesse vídeo:

Bem, se essa postagem lhe fez refletir sobre o seu papel na sociedade, já valeu a pena! Certamente tem um projeto social na sua cidade que está precisando de você. Mas tenha certeza que, ao se dedicar a alguma causa, é você quem mais vai sair ganhando! 😉

Prometo falar mais sobre isso por aqui!

Isly Viana

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