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R$ 490 mil para projetos de combate ao racismo

Projetos sociais podem concorrer aos recursos do Fundo Brasil de Direitos Humanos. Inscrições até 31 de agosto

junho 27, 2018 às 13:00

Mulheres negras ganham menos que mulheres brancas, que, por sua vez, ganham menos que os homens (Foto: Nappy.com)

Mais de 70% das vítimas de homicídios no Brasil em 2016 eram negros. De 2006 a 2016, o número de negros vítimas de homicídio aumentou 23%, enquanto o de não-negros diminuiu 6,8%. Mais da metade da população carcerária do Brasil é negra. Em 2015, brasileiros brancos ganhavam o dobro do que os negros.

Os números são o resultado de séculos de discriminação racial no Brasil e não podem ser ignorados. Alguns dos dados que cito acima são do Atlas da Violência, divulgado recentemente, que não nos deixa esquecer do quanto é preciso cuidar melhor da população negra.

Por outro lado, o incentivo a projetos sociais e institucionais de combate ao racismo também tem ganhado força. Fiquei muito feliz ao receber no meu email a notícia que trago aqui pra vocês. O Fundo Brasil de Direitos Humanos vai doar R$ 490 mil para iniciativas que combatem a discriminação vivenciada pela população negra. O edital “Enfrentando o racismo a partir da base: mobilização para defesa de direitos” é um apoio a organizações que promovem ações voltadas à luta contra a discriminação racial no país.

Segundo o Atlas da Violência, o número de assassinatos de negros cresceu 23%, enquanto o de não negros caiu 6% (Foto: nappy.co)

Os projetos apoiados pela iniciativa, promovida em parceria com a Fundação Open Society, receberão até R$ 70 mil para a realização de atividades em um prazo de até 18 meses. As inscrições podem ser feitas pela internet (a partir do link do edital) até 31 de agosto. Os selecionados serão divulgados no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

“Serão apoiadas iniciativas que tenham por objetivo o enfrentamento ao racismo e suas mais diversas decorrências sociais, tais como discriminação, preconceito, criminalização, ausência de perspectivas, violência, feminicídio e genocídio”, afirma Maíra Junqueira, coordenadora executiva adjunta do Fundo Brasil.

Ao apoiar esse tipo de projeto, o Fundo Brasil fortalece organizações e iniciativas que buscam transformar a realidade de desigualdades gritantes, comprovada em recentes pesquisas:

  • De todas as pessoas assassinadas no Brasil em 2016, 71,5% eram negras (Atlas da Violência 2018, Ipea)
  • De 2006 a 2016, o número de negros vítimas de homicídio aumentou 23%, enquanto o de não-negros diminuiu 6,8% (Atlas da Violência 2018, Ipea)
  • Entre 2003 e 2013, o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54% enquanto o índice de feminicídios de brancas caiu 10% (Mapa da Violência 2015, Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais)
  • Mais da metade das 622 mil pessoas encarceradas no Brasil são negras (Infopen – Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias)
  • Em 2015, brasileiros brancos ganhavam o dobro do que os negros (“A distância que nos une – Um retrato das desigualdades brasileiras”, Oxfam)

Em 2015, brasileiros brancos ganhavam o dobro dos negros (Foto: Nappy.co)

SOBRE O FUNDO BRASIL DE DIREITOS HUMANOS

O Fundo Brasil de Direitos Humanos é uma organização independente, sem fins lucrativos e com a proposta inovadora de criar meios sustentáveis para destinar recursos a organizações sociais que lutam pela defesa dos direitos humanos. A partir do apoio financeiro e técnico oferecido a essas organizações, o Fundo Brasil viabiliza o desenvolvimento de projetos de defesa e promoção de direitos humanos em todas as regiões do país, impactando positivamente no dia a dia de milhares de pessoas. Em atividade desde 2006, o Fundo já apoiou mais de 400 projetos.

Isly Viana

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