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Graça Araújo: o jornalismo para quem mais precisa

Nossa missão de continuar o legado de Graça para o povo

setembro 10, 2018 às 12:15

Eu e Graça numa das confraternizações de jornalistas. Era sempre muito divertido encontrar com ela

Segundo semestre de 2003. Era o meu último ano na faculdade. Eu já era estagiária da TV Tribuna há dois anos, mas sempre quis ter uma experiência na TV Jornal. Soube da seleção e passei! Que oportunidade!!! Seria estagiária de Graça Araújo!

Passei a trabalhar na produção. Anotava tudo nos mínimos detalhes ao apurar as informações por telefone ou com os telespectadores que chegavam na TV pra fazer alguma denúncia. “Graça vai me perguntar. Então, tenho que caprichar“, eu pensava. Mas não tinha jeito. Sempre que ela vinha me perguntar sobre algum assunto, questionava algo que eu não tinha pensado em perguntar. Que vergonha! Eu ficava nervosa e esquecia até das respostas que já tinha.

Ela dava a bronca com o sotaque paulista: “Você não sabe a resposta ou esqueceu de perguntar? Tem que caprichar mais nessa apuração, viu?

Convencer Graça de que eu era capaz virou minha meta. Ela nunca duvidou disso, e me impulsionava para que eu superasse o medo e a surpreendesse. Até que um dia, quando precisei ir fazer uma reportagem na rua, ela reconheceu: “essa menina tem futuro!” Que dia feliz!

Comentário no PE no Ar de segunda-feira, 10/09, sobre o legado de Graça Araújo

Graça tinha uma característica que nem todo jornalista gosta: se identificava com o povo. Era para as comunidades mais carentes que ela falava. Sempre com muita atenção e respeito. E não foi por isso que ela deixou de ser respeitada por aqueles de “alto nível”. Era fina. Uma lady.

Hoje em dia, você não encontra muitas pessoas em quem se espelhar. Seja na carreira ou na vida. Graça era uma referência em absolutamente tudo o que fazia. Não se conformava com nada menos do que a perfeição. Além disso, sabia respeitar todas as pessoas. Das mais simples às mais sofisticadas. Me ensinou como ninguém a respeitar os colegas e os chefes, sabendo diferenciar a importância de cada um deles. Coisa rara entre os profissionais atualmente.

É nosso dever levar além do que as pessoas esperam de nós!

INFLUÊNCIA NA QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS

Nos últimos anos, quando Graça passou a correr e cuidar melhor do próprio corpo, subiu mais um degrau nas possibilidades de influenciar as pessoas.

Encontrei com ela na primeira corrida que disputei, em outubro de 2013. Eu estava treinando há poucos meses e ela tratou de me incentivar. “Se dedique que você vai cada vez mais longe”.

Eu e Graça na primeira corrida que participei. Ela ficou feliz em ver que tinha me influenciado a cuidar melhor da saúde!

Depois disso, ouvi de Graça duas coisas que jamais vou esquecer.

Uma delas foi quando ela assistiu o PE no Ar pela primeira vez: “Você está construindo uma história linda, com muita dignidade. Que orgulho!”

Oi? Graça Araújo se dizendo orgulhosa de mim??? Me Deus, que honra!!!

A outra foi quando ela viu uma das postagens que fiz sobre voluntariado: “Parabéns por usar a sua imagem para influenciar bem as pessoas. É nosso dever levar além do que as pessoas esperam de nós!”

Graça sempre comentava nas fotos que postava sobre corridas ou sobre voluntariado. Dar orgulho a ela não tem preço!

Ah, Graça!!!! Que privilégio ter aprendido com você! E que privilégio maior ainda ter dado orgulho à minha mestra! Não dá pra mensurar o quanto você me tornou uma pessoa melhor.

Espero poder continuar o seu legado, respeitando as pessoas – seja que que classe social for, prezando pela responsabilidade com a notícia e demonstrando que o bom jornalismo é instrumento de justiça social.

Obrigada. Muito obrigada, Graça!

Isly Viana

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