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Comércio Justo: já ouviu falar?

Empresas mantem lucratividade em época de crise buscando princípios de justiça na comercialização de produtos e serviços

julho 5, 2018 às 12:46

Peças que utilizam conchas retiradas do mar fazem sucesso em exposições internacionais

Valorizar o artesão pelo que seu trabalho realmente merece e não pra poder ganhar dinheiro em cima da sua falta de habilidade em negociar. Esse é um resumo do que se propõem as empresas que seguem os princípios do chamado Comércio Justo, difundido em todo o mundo, mas pouco conhecido no Brasil.

Em linhas gerais, a ideia é preservar dez princípios básicos:

Arte: Keops Ferraz/OP9

O Fair Trade, termo em inglês, é um movimento internacional que surgiu em meados do século XX, nos Estados Unidos e Europa, e é definido pela Organização Mundial de Comércio Justo (WFTO) como uma “parceria comercial, baseada em diálogo, transparência e respeito, que busca maior equidade no comércio internacional. Ele contribui para o desenvolvimento sustentável por meio de melhores condições de troca e a garantia dos direitos para produtores e trabalhadores marginalizados, principalmente do hemisfério sul”.

O professor Márcio Waked, do departamento de Administração da Universidade Católica de Pernambuco, explica os princípios do Comércio Justo.

O professor também é um empreendedor social. Há dez anos, ele criou a Bio Fair Trade, uma empresa que possui cinco linhas de atuação. Todas seguem os princípios do Comércio Justo. Achei emocionante este vídeo preparado para explicar o impacto que essa prática pode provocar:

ONDE ENCONTRAR 

Eu estive na sede da empresa, localizada no bairro do Espinheiro, no Recife. Lá, além das negociações de exportação, eles também vendem para o consumidor final alguns dos produtos que são enviados para o exterior. A loja utilizada pra isso é a Vila Mundo. O que percebi, é que tudo é vendido a preços bastante acessíveis, pois, segundo os princípios seguidos pela empresa, não há a busca excessiva pela lucratividade, mas sim, pela precificação justa.

Vou dar um exemplo:

Colares feitos com pedaços de côco encontrados na praia de Porto de Galinhas, litoral sul de Pernambuco.

Comprei um colar feito com pedaços de casca de côco, que são colhidas na praia de Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco. Acho de muito bom gosto e muito bem feito. Em outras lojas, o mesmo produto poderia até ser vendido por um preço maior, devido à apresentação e qualidade, mas os empreendedores acreditam que esse valor é suficiente para pagar os custos do artesão, o trabalho e manter o lucro do revendedor.

Comprei este colar por R$ 30,00. É o meu segundo. Na Fenearte eu havia comprado um vermelhinho pelo mesmo preço.

Ainda falando em moda, teve outro colar que chamou muita atenção. Veja as fotos e tente descobrir de que ele é feito:


Acredite: esses colares são feitos com cápsulas de café. Aquelas coloridinhas que são utilizadas em máquinas domésticas que estão bem na moda, mas tem um preço bem “salgado”. Cada uma custa R$ 1,90.

Cápsulas de café utilizadas em máquinas caseiras

Por isso, o preço desses colares já não é tão em conta. Custam entre R$ 110,00 e R$ 180,00.

Ao pesquisar sobre isso, percebi que vários artesãos reaproveitam as cápsulas para fazer artesanato. Tem inúmeras fotos na internet!

Bem, criatividade não falta para quem mexe com artesanato. Abaixo, confira mais fotos de outros produtos e também mais uma entrevista sobre como é possível manter a lucratividade em negócios que prezam pelo comércio justo.

Isly Viana

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