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Experiente treinador: “Sou a favor da atualização, só lamento sacanagem”

Atualmente no Capivariano, Roberval Davino diz que aguarda proibição de trabalhar “meus títulos e estudos não valem nada. Só vale da CBF”

Abril 4, 2019 às 17:41 - Por:

 Davino tem um vasto e vitorioso currículo como treinador de mais de 50 times de futebol. Foto: Divulgação

Davino tem um vasto e vitorioso currículo como treinador de mais de 50 times de futebol. Foto: Divulgação

Roberval Davino, 64 anos, treinador com passagens vitoriosas por mais de 50 times de futebol do Brasil – em Natal treinou ABC e América no inicio dos anos 2000 –  usou as redes sociais para  levantar uma discussão sobre a exigência da CBF de licenciamento para treinadores de futebol.

Davino disse que a CBF vetou a sua solicitação de licença honorária, pois “só trabalhei em mais de 50 clubes, tenho duas especializações em futebol, e alguns ( treinadores ) com currículos bem menores foram aceitos” referindo-se a licença honorária.

Na sequência o professor Roberval Davino diz que está esperando a proibição de trabalhar ” meus títulos, os 50 clubes e meus estudos na Gama Filho e PUC de Campinas não valem nada, futebol hoje só vale da CBF, é o Pró. Jeito CBF de ser”.

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Roberval Davino aborda também o papel dos sindicato representativo da categoria ” espero que exista algum sindicato que lute por direitos adquiridos de alguns profissionais e contra a exclusividade da CBF em licenciar profissionais. Para mim não, eu queria só um reconhecimento, como outros colegas merecem, mas é o jeito CBF”.

O alto custo dos cursos de licenciamento da CBF também foi tema de reflexão do experiente e vitorioso treinador “em Alagoas vai ter um curso licença C, 6 mil reais, para trabalhar em escolinhas. Como exemplo de enganar o consumidor, em Alagoas, você paga agora seis mil reais  para licença C, até chegar na licença Pró, coloque uns 100 mil reais, como você continua desconhecido vai ter que começar por lá (Alagoas que ele deu como exemplo ) e o campeonato só tem oito equipes, e em três meses vai trabalhar aonde? “.

CBF Academy

Desde 2018 está em vigor a Licença de Clubes que estabelece exigências técnicas e administrativas para que os clubes disputem competições nacionais e no bojo das exigências está a que estabelece que  treinadores precisam  da Licença Pro, três níveis acima da C.

Agora em 2019, os treinadores das Séries A e  B precisam da licença A, em 2020 ela será exigida para os da Série C e em 2021 para os da Série D.

No Rio Grande do Norte

Ouvi o treinador Higor Cesar, do Globo, que acha importante o curso: ” Acho interessante, não fiz ainda. Ia fazer agora o último mas acabou não dando certo pois foi bem na pré-temporada do Globo então não teve como eu sair, mas vai ter um em maio antes da Série C e eu vou fazer. Minha meta é fazer o próximo curso da licença A, só acho que  é muito caro o curso, a CBF poderia  diminuir o valor, facilitar para os profissionais que já estão no mercado . Além do custo do curso propriamente dito tem as despesas com viagens e hospedagens, alimentação e quando você vai somar tudo dá mais de 15 mil reais”.

Emanoel Sacramento, profissional experiente e que está trabalhando no Potiguar, um dos candidatos ao título do Segundo Turno do Estadual ainda não fez o curso: ” Ainda não fiz por falta de recurso mas penso que é proveitoso, não essencial para desenvolver um trabalho representativo com os atletas e bons resultados.  Tem muita coisa que a gente precisaria discutir ainda com relação a esses cursos da CBF, além de  ter um preço muito alto eles estão querendo privar o profissional que não tem esse curso, privar de estar trabalhando coisa que eu acho completamente injusta. A maioria desses profissionais  não tem o recurso financeiro necessário para realizar o curso. Concordo que é  importante fazer não só para atualização mas também para habilitação, mas  não são essenciais para que haja o bom desenvolvimento de um trabalho. Eu espero fazer sim, mas já soube que a ABTF ( Associação Brasileira de Treinadores de Futebol ) no Rio de Janeiro está entrando com uma liminar para garantir direito para o profissional que comprovadamente não tenha recurso para pagar o curso possa trabalhar”.

Moacir Júnior, treinador do América: ” Eu estou fazendo a PRO que é o último estágio. Eu fiz a A e estou fazendo a PRO. É um tema muito polêmico, o Roberval por exemplo é um dos treinadores que  entra naquele processo de ter uma Licença Honorária, como o Geninho, o Nedo Xavier, o Givanildo Oliveira teria direito de ter essa Licença Honorária pelos serviços prestados  ao futebol brasileiro. A questão das licenças é que  hoje para você trabalhar em qualquer  continente, só no Brasil que não era exigida. A Licença  é exigida na Argentina, Colômbia, México, Estados Unidos, Europa, Austrália. Hoje é pré-requisito, é como se fosse uma formação. Até pouco tempo você podia tirar um açougueiro do balcão  e botar ele de  treinador. Hoje estão restringindo através  da obrigatoriedade das licenças. São muito caras, eu não concordo com o preço das mesmas, mas não tenho dúvida nenhuma que através delas você acaba se atualizando e melhorando o seu trabalho, seu network, . Tive oportunidade de estar lá na CBF com o Tite, com o Dorival Júnior, com o Mancini com todos os treinadores desde a Série D até a Seleção Brasileira. O curso propicia isso também. O valor das licenças não concordo, mas a obrigatoriedade com certeza sim, em qualquer profissão você precisa ter o mínimo de organização, de regulamentação e os treinadores estavam sem isso, estava uma coisa muito aleatória, essa é minha opinião. O Roberval é um grande profissional, vencedor e a gente respeita muito ele e a opinião dele”.

Fernando Tonet é treinador do Santa Cruz de Natal: ” Recentemente fiz a Licença A da CBF e confesso que inicialmente fui um pouco resistente a adesão, pelo fato de ser formado em Educação Física pela UFPR, formação essa que já me dá (por lei) a autorização de atuar como técnico em qualquer tipo de esporte amador ou profissional. A graduação me deu o título de Licenciado e Bacharel em Educação Física. Entretanto, concordo que a CBF está querendo normatizar uma situação em que no meu modo de ver estava muito bagunçado. Como disse Moacir Júnior, qualquer um poderia de uma hora para outra “virar” treinador e isso estava errado. Portanto, acho totalmente válida a exigência do curso, como também acho prudente que em alguns casos como o do Roberval Davino, entre outros, a CBF use os mesmos critérios dos quais ela utilizou para dar a alguns profissionais a Licença Honorária, devidamente merecida. Fora essa situação, tem ainda os altos custos que impossibilitam muitos profissionais para a realização do curso. Talvez um preço mais acessível amenizasse um pouco. Quando uma situação em qualquer área passa a ser Obrigatória, vira polêmica. Esse é o caso das Licenças da CBF, mas acredito que muito em breve, essa obrigatoriedade será tão comum que todos os profissionais terão a certificação para trabalhar.Por fim, gostaria de parabenizar a CBF pelo excelente curso Licença A, que tive a oportunidade de participar em dezembro de 2018. A qualidade é indiscutível, o grande Network é Fantástico, sem contar que o curso já está em processo de validação em Nível Mundial”.

Quem também fez o curso na CBF foi Ranielle Ribeiro, treinador do ABC: ” Sou a favor do curso por estar participando, estou na metade da Licença A e já vi a qualidade muito grande do curso, uma renovação de conhecimento muito boa e é dessa forma que a CBF vai regulamentar a profissão de treinador aqui no Brasil, como já acontece na Europa e em outros países. Tem esse problema com os treinadores mais experientes , que eu sou a favor de dar a chancela para eles, são profissionais que não precisam mais provar nada a ninguém, principalmente o Roberval Davino, pela história, pelo curriculo e pelas conquistas. Tem também o problema do custo que é muito caro. A CBF arca com tudo, é um curso muito caro para se fazer. Eu vejo a situação de se ponderar os pontos que estão tendo dificuldade, mas manter o propósito da coisa. No caso do Roberval tenho certeza que a CBF vai rever e vai dar a chancela para ele”.

Conversei também com o treinador Alfredo Sampaio com forte atuação no futebol do Rio e um dos fundadores da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol: ” A matéria mostra a realidade existente hoje no país em relação a certificação dos treinadores de futebol.  Eu particularmente sou a favor da certificação e da existência da CBF, pois, aqui no Brasil, por muito anos vimos falta de critério para quem desejasse exercer a função de treinador. Os diversos cursos feitos por entidades de classe e outros seguimentos , distribuíam certificados com cursos de sete dias. Ou seja, havia novos treinadores “formados” em sete dias que acabavam, teoricamente, ficando no mesmo patamar, por exemplo, de um Felipão, Luxemburgo, Levi … e por vai. Nesse modelo qualquer um poderia se tornar treinador de futebol no Brasil. Outro ponto importante a ser observado, que a certificação irá acabar com a prática do ex-atleta que parou de jogar hoje amanhã e, por ser famoso ou ter sido ídolo, no dia seguinte está no dentro campo exercendo uma função a qual ele preparado e qualificado. Concordo também  com os depoimentos da matéria no tocante a valores, realmente são altos, dificultando mesmo o acesso de muitos. Há cinco anos atrás, eu, Dorival Jr, Vagner Mancini, o falecido Caio Jr, Felipão, Parreira entre outros, fundamos a Federação Brasileira de Treinadores de Futebol (não confundir com ABTF ). Nosso presidente, o ex-volante Zé Mário, vem brigando constantemente com a CBF para ela reveja esses valores. O máximo que conseguimos até agora foi um desconto de 10% do valor para que for encaminhado pelo FBTF. A cbf alega que os custos são altos para justificar os valores cobrados. Um ponto a ser entendido, ao meu modo de ver, é que, apesar dos valores absurdos e os critérios definidos para determinar quem pode trabalhar na beira do campo, a CBF é uma entidade privada e dona do Campeonato Brasileiro e de outras competições nacionais. Como isso, sendo justo ou não, ela pode definir, como definiu, que estará habilitado para trabalhar em suas competições.
Essa situação de liminar no meu entendimento não se sustenta, exatamente por se ela um entidade privada. Ela não esta privando ninguém de trabalhar como treinador, apenas exigindo que haja determinada formação para quem deseja trabalhar nas competições organizadas por ela”.

As categorias

São quatro categorias de licença C, B, A e PRO, que é o topo. Para se candidatar, é necessário ser profissional de educação física ou ex-atleta. Assim, começa na etapa C, destinada a quem trabalha em escolas de futebol. O estágio posterior, o B, é destinado a quem está em categorias de base de clubes, enquanto o seguinte é para quem se encontra em etapa mais avançada na carreira. O último nível é para trabalhos internacionais ou convidados.

A novidade desde o ano passado está na equiparação do PRO à UEFA Pro Licence, obrigatório para quem quiser treinar clubes de primeiro nível na Europa, se o treinador tiver somado à Licença Pró da CBF cinco anos comprovados na elite do Campeonato Brasileiro.

A partir deste ano, será obrigatória para treinadores que estão na disputa do Campeonato Paulista e do Brasileirão, o curso A. É o penúltimo degrau na CBF Academy. Para cursar a Licença A, o profissional precisa obrigatoriamente ter terminado a B ou ter no mínimo cinco temporadas completas de experiência como treinador principal de uma equipe profissional – além do Ensino Médio Completo.

Ao todo, o investimento total para quem passar por todos os degraus do curso supera R$ 40 mil. Os valores exatos são R$ 5.267,50 pelo nível C, R$ 7.250,80 pelo B, R$ 9.926,00 pelo A e mais R$ 18 mil no estágio profissional, o último.

Não estão computadas aqui as despesas com deslocamentos para o Rio de Janeiro, hospedagem e alimentação.

Marcos Lopes

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