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O estado da barbárie: em dois anos, Alagoas registra 14 decapitações

Levantamento do Portal OP9 mostra casos entre janeiro de 2017 e maio de 2019 onde as vítimas tiveram suas cabeças separadas do corpo

Maio 17, 2019 às 16:09 - Por:

Fotos: Internet/Reprodução

Fotos: Internet/Reprodução

Integrantes de facções criminosas de Alagoas tomaram para si a prática de decapitar seus “inimigos” como forma de ameaça. De janeiro de 2017 a maio de 2019 o Portal OP9 resgatou 14 casos que aconteceram em diferentes cidades do estado. A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) confirma que a motivação para os crimes bárbaros está relacionada, na sua maioria, à guerra de facções criminosas que brigam por pontos de comércio dos entorpecentes.

A última vítima da barbárie em Alagoas é um homem ainda não identificado, encontrado morto e sem a cabeça na zona rural da cidade de São Sebastião, no Agreste de Alagoas, na quinta-feira (16). A cabeça do cadáver não foi encontrada.

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Em conversa com o Portal OP9, um policial civil que atua em áreas críticas de Maceió há mais de 20 anos, relatou que pessoas ainda muito jovens são obrigadas pelos traficantes de drogas a entrar no mundo do crime.

“Você não enxerga humanidade nessas pessoas. Eles perderam completamente qualquer tipo de sentimento. Os chefes das facções ordenam que um adolescente de 14 anos mate e arranque a cabeça de um inimigo, e ele tem que fazer o que mandam se quiser sobreviver naquela região onde mora. É uma realidade nas periferias de Alagoas. A barbárie, a crueldade, as mortes violentas são algo comum para essas pessoas. E todos eles, sem exceção, morrem muito jovens”, comentou o agente, que preferiu não se identificar.

27 de janeiro de 2017
Cardeilton Ferreira dos Santos foi morto de forma bárbara e teve a cabeça arrancada pelos inimigos. Foto: Reprodução/Whatsapp

Cardeilton Ferreira dos Santos foi morto de forma bárbara e teve a cabeça arrancada pelos inimigos. Foto: Reprodução/Whatsapp

Imagens estarrecedoras de tortura, pauladas, mais de dez tiros na cabeça, perfuração nos olhos e a decapitação de Cardeilton Ferreira dos Santos, mais conhecido como Ninho, de 37 anos, são divulgadas nas redes sociais. Depois de toda a barbárie, o cadáver ainda foi queimado. A motivação para o crime, segundo informou a Polícia Civil de Alagoas na época, foi a disputa entre facções criminosas pelos pontos de vendas de drogas na periferia de Maceió.

29 de janeiro de 2017

A guerra entre as facções criminosas não está apenas na capital de Alagoas. Jefferson Ricardo de Lima, conhecido como Binho, de 21 anos, foi morto e decapitado na cidade de Teotônio Vilela, no Agreste do estado. Na época, o corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição, com uma grande perfuração no olho, que deve ter sido feita por um disparo de espingarda calibre 12. A Polícia Civil da cidade informou que a vítima era usuária de drogas e relacionou a morte ao envolvimento com as facções.

Jefferson Ricardo de Lima, conhecido como Binho, de 21 anos, foi morto e decapitado na cidade de Teotônio Vilela. Foto: Reprodução/Whatsapp

Jefferson Ricardo de Lima, conhecido como Binho, de 21 anos, foi morto e decapitado na cidade de Teotônio Vilela. Foto: Reprodução/Whatsapp

7 de março de 2017

Alguns casos de corpos encontrados acabam sem solução. Como foi o assassinato de um homem identificado apenas como Neguinho. A cabeça dele foi encontrada na Fazenda Boa Esperança, zona rural da cidade de Branquinha, na Zona da Mata de Alagoas. Horas depois o corpo foi achado em outro local. Não há registros da época sobre a identidade oficial do homem ou as motivações para o crime.

29 de agosto de 2017

Nos presídios não só de Alagoas, mas em todo o país, os casos de assassinatos com requintes de crueldade são registrados ano após ano. Carlos Júnior dos Santos cumpria pena por roubo e estava detido na Casa de Custódia de Maceió, conhecida como Cadeião, quando foi assassinado e decapitado. Ele foi executado a facadas e teve a cabeça arrancada e colocada dentro da barriga. Suas vísceras foram espalhadas pela cela e as imagens registradas pelos próprios presos foram divulgadas nas redes sociais. Na época, a Polícia Civil informou que o morto era de uma facção rival à que “dominava” a cela onde ele foi colocado.

Mariana Silva dos Santos Pereira foi morta e decapitada em dezembro de 2017. Foto: Reprodução/Whatsapp

Mariana Silva dos Santos Pereira foi morta e decapitada em dezembro de 2017. Foto: Reprodução/Whatsapp

20 de dezembro de 2017

Era uma jovem de 19 anos, prostituta, usuária de drogas e que já respondia por roubo. Mariana Silva dos Santos Pereira foi morta e decapitada. O corpo encontrado em uma cova rasa dentro de uma mata fechada na Grota Canaã, em Maceió. Cinco meses depois, em junho de 2018 Ednaldo Baptista de Lima, vulgo “Bolé”, de 33 anos, e Emerson da Silva Souza, conhecido como “Enzo”, de 19 anos, foram presos no bairro Ouro Preto, acusados de participação no crime. Para a Polícia Civil, a mulher foi morta por rivalidade entre facções criminosas.

23 de junho de 2018

Estefane Cristina dos Santos, de 18 anos, foi morta e decapitada na cidade de Rio Largo, na região Metropolitana de Maceió, uma das mais violentas do estado. O corpo foi encontrado em um matagal localizado no Bairro Mata do Rolo e dois adolescentes presos na época informaram ao delegado da Polícia Civil da cidade, Lucimério Campos, que a vítima foi morta por trocar informações com integrantes de uma facção rival.

Estefane Cristina dos Santos, de 18 anos, foi morta e decapitada na cidade de Rio Largo. Foto: Reprodução/Whatsaspp

Estefane Cristina dos Santos, de 18 anos, foi morta e decapitada na cidade de Rio Largo. Foto: Reprodução/Whatsaspp

21 de setembro de 2018

Não há informações sobre a identificação de um corpo decapitado encontrado no Povoado Peri-Peri, na zona rural do município de Boca da Mata, na Zona da Mata de Alagoas. Era um homem, morto a golpes de facão, encontrado em uma região de mata por populares. O OP9 buscou informações sobre a identificação da vítima e sobre as motivações e suspeitos de cometer o crime, mas não encontrou nenhum arquivo.

14 de outubro de 2018

Wesley de Lima Morais Silva, de 17 anos, foi encontrado morto, decapitado e com a mão decepada em uma estrava vicinal no Conjunto Deda Paes, conhecida como Risca Faca, na cidade de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas. O adolescente havia se envolvido em um confronto com policiais do 6º Batalhão da Polícia Militar (BPM).

6 de novembro de 2018

Um corpo decapitado. Mais um sem identificação. Este morto a golpes de facão no Bairro Benedito Bentes, parte alta de Maceió. No local, policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) receberam informações de populares que disseram que o homem era envolvido com o tráfico de drogas na região. A morte teria sido motivada por vingança de traficantes.

29 de novembro de 2018
Não há informações sobre a identificação de um corpo decapitado encontrado no Povoado Peri-Peri, na zona rural do município de Boca da Mata, na Zona da Mata de Alagoas em setembro de 2018. Foto: reprodução/Whatsapp

Não há informações sobre a identificação de um corpo decapitado encontrado no Povoado Peri-Peri, na zona rural do município de Boca da Mata, na Zona da Mata de Alagoas em setembro de 2018. Foto: reprodução/Whatsapp

A guerra entre as facções criminosas nas periferias de Maceió também foi a causa da morte do adolescente José Vitor Santos Lima, de 17 anos. Ao ver o corpo do filho decapitado, com braços e pernas esquartejados, o pai Valmir Lima se desesperou. A vítima foi jogada na Lagoa Mundaú e o cadáver encontrado dias depois na cidade de Coqueiro Seco, em avançado estado de putrefação. “Ele era usuário de drogas, mas trabalhava em uma vidraçaria e recebia R$ 100 por semana para criar as duas filhas”, lamentou. Na época, a Polícia Militar informou que a briga era entre as facções Comando vermelho e PCC no bairro de Bebedouro, onde o adolescente morava.

5 de dezembro de 2018

Edilson da Silva Jacó, de 23 anos, foi morto e decapitado no Povoado Bolivar, Zona da Mata de São Sebastião, cidade do Agreste alagoano. Além da cabeça separada do corpo, o homem teve mãos e pés decepados pelos seus assassinos, que, encapuzados, o retiraram de sua residência durante a madrugada informando que eram policiais. Ele tinha marcas de tiros pelo corpo e a Polícia Civil de Alagoas não apresentou uma linha de investigação para o crime.

Além da cabeça separada do corpo, Edilson da Silva teve mãos e pés decepados pelos seus assassinos. Foto: Reprodução/Whatsapp

Além da cabeça separada do corpo, Edilson da Silva teve mãos e pés decepados pelos seus assassinos. Foto: Reprodução/Whatsapp

29 de janeiro de 2019

O envolvimento com facções criminosas seria a motivação para a execução de Mylca Siméia da Conceição, de 18 anos, morta e decapitada na cidade de Rio Largo, Região Metropolitana de Maceió. A cabeça foi fincada em uma estaca de madeira em uma estrada e o corpo jogado em uma ribanceira. Ela foi morta por traficantes porque devia dinheiro referente a compra de drogas. O delegado Lucimério Campo informou que ela tentou vender dois celulares roubados no dia em que foi morta para adquirir o dinheiro e pagar a dívida, mas não houve tempo.

31 de janeiro de 2019

O cadáver de Paulo Jorge Monteiro de Deus, de 23 anos, foi resgatado por militares do Corpo de Bombeiros de Alagoas (CBMAL) na Lagoa Mundaú, no bairro do Vergel do Lago, em Maceió. O homem estava com as mãos e pés decepados e a cabeça decepada, enfiada dentro do abdômen. Os criminosos deixaram o corpo dentro de um saco em uma região de mangue de difícil acesso. A hipótese levantada pela polícia? Morte motivada pela guerra entre facções criminosas. Os pés e mãos do homem não foram encontrados.

Corpo foi encontrado sem cabeça e parcialmente queimado. Foto: Reprodução/Whatsapp

Corpo encontrado em São Sebastião não tinha a cabeça e estava parcialmente queimado. Foto: Reprodução/Whatsapp

16 de maio de 2019

O corpo de um homem ainda não identificado foi encontrado em um terreno baldio no Sítio Terra Nova, zona rural da cidade de São Sebastião, Agreste de Alagoas. O cadáver foi achado por moradores da região, que acionaram a Polícia Militar. A cabeça não foi encontrada e o corpo estava parcialmente queimado.

Thayanne Magalhães

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