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Irmãs que cavaram casa por 11 anos terão apoio psicológico

As escavações cotidianas fizeram com que o alicerce da residência no bairro Benedito Bentes, em Maceió ficasse a mais de um metro do chão

julho 9, 2019 às 15:31 - Por:

Irmãs cavaram a própria casa por 11 anos. Denúncia é de vereador de Maceió. Foto: cortesia

Irmãs cavaram a própria casa por 11 anos. Denúncia é de vereador de Maceió. Foto: cortesia

As duas irmãs que cavaram a própria casa todos os dias por mais de 10 anos no Benedito Bentes, em Maceió, estão recebendo acompanhamento psicológico e de assistência social. As escavações cotidianas fizeram com que o alicerce da residência ficasse a mais de um metro do chão. O imóvel, prestes a desabar, ficou “ilhado”. O caso foi descoberto pelo vereador Siderlane Mendonça (PEN), que avistou as mulheres jogando areia na rua.

Em conversa com o OP9, o parlamentar afirma que desconfiou quando viu que as duas irmãs, sendo uma delas com idade de 76 anos, jogavam o barro em um calçamento. Os vizinhos o ajudaram a identificar o problema e gravaram um vídeo em que flagra o momento em que as duas utilizam uma pequena pá para realizar a escavação.

As imagens mostram que a residência, já comprometida, parece “flutuar” sobre a área escavada. O trabalho de formiguinha durou 11 anos. Até as encanações ficaram expostas após serem descobertas pelo concreto. No vídeo, é possível observar que a estrutura estava alinhada e o terreno limpo.

De acordo com o vereador Siderlane Mendonça, uma das irmãs, a que tem 76 anos, possui cinco filhos e três deles moram no Sudeste do país. Os outros dois moram em Satuba e Benedito Bentes. Elas não eram abandonadas pela família, conforme informou o vereador, após conversa com um dos filhos de uma das mulheres. As duas recebem benefícios em decorrência de problemas psicológicos, informou o parlamentar.

“A família percebeu [as escavações], mas havia resistência da parte das senhoras, e eles temiam que elas fossem interná-las. Um dos filhos me falou que sempre estava em contato com ela, não faltava comida, elas sempre tomavam banho, mas que elas levavam aquilo [escavações] como se fosse um trabalho”, afirma o vereador.

Transtorno Obsessivo Compulsivo

Após a descoberta da ocupação inusitada das duas irmãs, o vereador acionou o serviço de assistência social da Prefeitura de Maceió, uma psicóloga e uma equipe da Defesa Civil. Segundo Siderlane, a psicóloga que visitou as duas na segunda-feira (8) diagnosticou as senhoras com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). O transtorno faz com que o paciente tenha pensamentos e ações repetitivos, transformando uma atividade em uma espécie de ritual.

A Defesa Civil informou que esteve no imóvel e recomendou o reaterro da área para evitar danos às casas vizinhas que já vinham apresentando rachaduras por conta das escavações. Após um diálogo, o vereador convenceu as irmãs a saírem da residência, que corre o risco de desabar. Agora elas estão com familiares. Siderlane faz um apelo para que a prefeitura atue para reconstruir a casa das irmãs e “devolvê-las com dignidade”.

Em nota, a Gerência de Atenção Psicossocial, por meio do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Noraci Pedrosa, informou que foi acionada nesta terça-feira (9) e irá fazer uma visita a residência da usuária na quarta-feira (10), com a equipe composta pela coordenadora do Caps, psiquiatra, enfermeira e outro técnico, para que sejam feitos os encaminhamentos necessários para a usuária e sua família, após conhecimento e análise da situação.

A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que foi notificada da situação social das senhoras, no bairro do Benedito Bentes e fez a primeira visita domiciliar, através do Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas) na segunda-feira (8). O Creas acionou a equipe da Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde. Uma nova visita foi agendada para a tarde desta terça-feira (9) para o seguimento do acompanhamento familiar e para o restabelecimento de vínculos.

Mariane Rodrigues

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