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Defensoria quer afastamento de policiais do caso Danilo

Mãe e padrasto da criança afirmam que foram torturados e ameaçados pela equipe da DHPP para que confessassem o crime

outubro 16, 2019 às 16:06 - Por:

A família de Danilo de Almeida, o menino de 7 anos que foi supostamente assassinado em um ritual macabro em Maceió, esteve na Defensoria Pública do Estado nesta quarta-feira (16) para denunciar o delegado responsável pela investigação do caso, Bruno Emílio, e sua equipe. Segundo relato da mãe da criança, a dona de casa Darcinéia Almeida, ela e o marido, padrasto dos filhos, foram torturados para que confessassem o crime.

O defensor público que atendeu o casal, Marcelo Barbosa Arantes, confirmou ao OP9 que irá pedir o afastamento do delegado responsável pela investigação do caso e toda a equipe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). “O que nos leva a fazer o pedido é a nossa experiência com esse tipo de crime e a veemência da denúncia feita pelo casal”, explicou.

Agora será enviado um ofício para a Delegacia Geral da Polícia Civil de Alagoas pedindo o afastamento.

A versão da família

O repórter Wadson Correia, da TV Ponta Verde, emissora do Sistema Opinião, esteve na casa da família e ouviu o relato da mãe e do padrasto de Danilo, que segundo relatos da família, foi sequestrado na sexta-feira (11) por uma mulher de cabelos verdes que estava em uma bicicleta, e achado morto na madrugada de sábado (12) em um beco próximo de casa, no bairro do Clima Bom.

“Sofri tortura psicológica. Eles disseram que estavam nos levando para a delegacia para ser ouvida pela psicóloga, mas queriam que eu confessasse que matei meu filho e me agrediram com murros nas costas. Ameaçaram me dar choque elétrico”, contou a mulher. O fato teria acontecido na noite de terça-feira (15), quando o casal foi levado por policiais até a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O padrasto Roberto Moraes contou que o casal foi separado assim que chegou na delegacia. Ele afirma que foi ameaçado e pressionado a responder diversas perguntas sobre a morte da criança. “Eles queriam que a gente dissesse que fez aquela barbaridade com a criança. Sofremos a morte do menino e agora estamos sofrendo com essa acusação”, relatou o homem, que trabalha em uma oficina perto de casa.

O delegado Bruno Emílio não quis gravar entrevista. Em nota, a Polícia Civil informou que irá investigar a denúncia. Confira na íntegra:

A direção da Polícia Civil de Alagoas, em virtude de acusação de supostas agressões, atribuídas a policiais civis, e que teriam ocorrido em uma delegacia de polícia da Capital, esclarece que quaisquer denúncias envolvendo possível desvio de conduta de integrantes da instituição são devidamente apuradas, desde que comunicadas oficialmente.

Adianta ainda que a mãe e o padrasto do menino Danilo Almeida, de 7 anos, foram encaminhados à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) a pedido da psicóloga que ouvia o irmão gêmeo do garoto morto, pois ela queria ter a contextualização mais ampla das pessoas que tinham uma relação mais próxima com a vítima.

A Polícia Civil de Alagoas esclarece também que possui dois canais internos para onde podem ser encaminhadas tais denúncias: a Corregedoria de Polícia Civil, localizada na Avenida Comendador Leão, no bairro do Poço, e a Ouvidoria de Polícia Civil, situada no Complexo de Delegacias Especializadas (Code), na Avenida Gustavo Paiva, em Mangabeiras.

Thayanne Magalhães

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